Barcelos: Artistas resgatam apoios para a saúde mental

A arte e a saúde mental estiveram unidas umbilicalmente na noite do passado sábado numa casa senhorial na Rua Dom Diogo Pinheiro, em Barcelos, numa palestra e exposição artística que chamou a atenção para a urgência de assegurar uma melhor qualidade de vida a todos os doentes mentais. A casa esteve a abarrotar de familiares e amigos e de dezenas de obras de artistas de todo o país que se juntaram para combater o estigma social, numa noite que foi abrilhantada pela música da viola d’arco de José Valente.

‘Resgate - Art Exhibition for Recovery in Mental Health 20-13’ intitula a iniciativa promovida pela Associação dos Familiares e Amigos dos Utentes da Casa de Saúde de S. João de Deus de Barcelos, uma IPSS sem fins lucrativos, que se tem vindo a bater desde a sua fundação em 2004 por melhores cuidados de saúde mental em Portugal, bem como pela defesa dos direitos e dignidade dos doentes mentais.

As obras de arte vão estar à venda com o objectivo de associação angariar fundos para continuar a dinamizar as suas actividades e terapias junto dos doentes mentais. “Somos uma IPSS sem fins lucrativos e também passamos dificuldades. Esta é uma forma de inovar também na procura do autofinanciamento para a sustentabilidade pois as instituições não podem ficar sempre sobre a alçada do Estado”, assinalou Miguel Durães, responsável pela associação barcelense, garantindo estar “muito sensibilizado pelo facto de 60 artistas das artes plásticas à fotografia, do design de jóias à música, terem abraçado a causa da saúde mental e terem doado uma obra, cuja venda depois reverterá para a actividade social não lucrativa da instituição”. 

Marta Bernardes, artista e docente da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, foi uma das convidadas para a palestra sobre a temática. “É extraordinário ver a adesão dos artistas que aderiram à iniciativa para apoiar esta associação. Este é um acto poético, mas também um acto político - de chamar a atenção para a urgência de um cuidado com o ser humano total e que sem esse cuidado não há projecto de país que resista”.

Álvaro de Andrade Carvalho, director do Programa Nacional para a Saúde Mental (Ministério da Saúde), participou também nesta sessão cultural, onde apontou que estatisticamente há cerca de 100 mil doentes mentais em Portugal.
O responsável notou que “o país já evoluiu muito nos últimos anos, principalmente depois dos anos 70, altura em que houve uma grande evolução a nível dos medicamentos, e desde há cerca de 20 anos com a criação de pequenas unidades sócio-ocupacionais onde os utentes reaprendem actividades da vida diária”.

“Desde que foi publicado despacho 407/98 que passaram a existir muitas mais IPSS’s com esta vocação de reabilitação social sob um financiamento da Segurança Social para residências e unidades sócio-ocupacionais. Esse apoio continua e estamos em vésperas de o aprofundar e ampliar, através dos Cuidados Continuados Integrados de Saúde Mental. Tive indicação do secretário-de-Estado que será um projecto para arrancar este ano”, anunciou Álvaro Andrade de Carvalho. Este projecto prevê ainda criar equipas técnicas de apoio domiciliário para estimular os doentes mentais e unida- des equivalentes para crianças e adolescentes.

fonte: Correio da Manhã 
http://www.correiodominho.com/noticias.php?id=68813